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“Só vem de Deus, aquilo que nos une, nunca aquilo que nos divide”

By SF
“Só vem de Deus, aquilo que nos une, nunca aquilo que nos divide”

Na Missa da Peregrinação Internacional Aniversária de Julho, D. Pedro Fernandes convidou os peregrinos a serem construtores da justiça e da paz.


Na homilia proferida esta manhã no Recinto de Oração, o bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, recorreu à metáfora bíblica do contraste entre a luz e as trevas para refletir sobre os desafios da sociedade contemporânea, desde as guerras e os discursos de ódio até às divisões que ameaçam a comunhão na Igreja.

“Atravessamos hoje uma época de insegurança e desorientação”, referiu. “Povos invadindo povos, pessoas violentando pessoas, discursos de ódio e divisão que proliferam e tentam impor-se à comunidade humana”, sublinhou o presidente da celebração.

A partir do relato da Anunciação, D. Pedro Fernandes apresentou Maria como exemplo de humildade e disponibilidade à ação de Deus. “A atitude de Maria não é de heroicidade conquistadora, é antes de disponibilidade humilde, de quem se coloca à escuta do que Deus quer, reconhecendo n'Aquele que é a fonte de toda a vida a única autoridade capaz de transformar as nossas trevas em luz e a nossa violência em mansidão”, afirmou.

Neste contexto, o bispo de Portalegre-Castelo Branco evocou a recente encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, para alertar para a ambiguidade dos avanços tecnológicos. “Se os recursos da tecnologia e da inteligência artificial nos podem abrir as portas para um quase imediato acesso à informação e um fácil recurso a soluções complexas, podem também introduzir-nos num perigoso jogo em que verdade e falsidade se confundem”, lembrou.

Segundo D. Pedro Fernandes, esta confusão favorece discursos manipuladores e estratégias populistas que exploram o medo e a insegurança para dividir pessoas e povos. “À tenebrosa estratégia populista do 'dividir para reinar' opõe-se a luminosa proposta da Palavra de Deus, que nos fala de 'uma Paz sem fim', alcançada pelo 'direito e pela justiça' e não pela força e pela arrogância”, afirmou.

O bispo recordou ainda os conflitos que destroem o Médio Oriente, a Ucrânia e outras regiões do mundo, sublinhando que as raízes da guerra e da violência também podem manifestar-se "de modo subtil" nos corações e na forma como as pessoas constroem as relações pessoais, sociais, políticas e económicas.

No âmbito da Igreja, D. Pedro Fernandes alertou para o perigo das atitudes sectárias e da arrogância espiritual. Ao relembrar o recente caso de uma comunidade que se colocou em situação de excomunhão, o bispo afirmou que a pretensão de um grupo se considerar mais próximo de Deus “gera divisão que não pode vir de Deus”. Neste sentido, o sacerdote convidou os fiéis a regressarem à humildade de Maria e a prepararem o Reino de Cristo através de opções concretas de paz, reconciliação e perdão.

O bispo lembrou ainda que “só vem de Deus, aquilo que nos une, nunca aquilo que nos divide”, afirmando que a unidade da Igreja e a construção de uma sociedade baseada nos valores do Evangelho são da responsabilidade de todos os cristãos.

Por fim, D. Pedro Fernandes pediu a intercessão de Maria para que os peregrinos renovem a determinação de combater todas as formas de violência, preconceito e exclusão através da oração, do discernimento, da solidariedade e do compromisso na construção da justiça e da paz.

Tags: Notícias

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